Nordestinos no Rio de Janeiro

Acabo de chegar de uma reunião no lar de um casal morador da comunidade do Pavão. Eles são pais de uma de nossas crianças da creche. Casa simples e coração grande como a maioria das casas de nordestinos radicados no Rio de Janeiro.

Como disse Belchior, grande poeta nordestino, imigrante como eu o sou,

“O que pesa no Norte
Pela Lei da Gravidade
Disso Newton já sabia
Cai no Sul Grande cidade”

O fluxo migratório de nordestinos para o Sul do Brasil foi uma marca nos anos 60 ocasião em que muitos nordestinos como eu vieram para o Sudeste.

Pau de Arara

Eram anos duros. Vivíamos a Ditadura. Como o poeta Belchior cantou na mesma canção:
“Em cada esquina que eu passava
Um guarda me parava
Me pedia os documentos e depois sorria
Examinando o 3×4 da fotografia
Estranhando o nome do lugar de onde eu vinha”

Eu vim de Catende-PE. Estes meus amigos da reunião de hoje, vieram de São Benedito-CE. Após 17 anos de trabalho duro, eu mesmo sou testemunha da luta destes meus amigos, conseguiram construir sua casa. Depois de um tempo o segundo andar. Uma tv de plasma comprada em 36 x para assistir a copa do mundo. Enfim. Pessoas comuns, que vieram sem nada para nossa cidade e que aqui contruíram suas vidas.

Lá estavam com seus amigos também moradores do Pavão para prestarem seu apoio. São Pedreiros, garçons, empregadas domésticas, costureiras, enfim, trabalhadores. Trabalham duro ajudando a construir nossa cidade. Alguns deles também pais e mães de crianças atendidas na Creche Bom Samaritano.

Conversamos longamente sobre a vida naquela comunidade. Saí de lá pensando no muito que há para ser feito. Aquelas pessoas sonham com condições melhores de moradia e transporte. Precisam de melhor atendimento nos hospitais e acima de tudo melhor educação para seus filhos.

Outro poeta, dessa vez Chico Buarque, ilustra o que senti após nossa conversa:

“Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar”

Expressão melhor que esta não encontro. Aqueles homens e mulheres que lá estavam são a “minha gente”. Nordestinos como eu. É meu dever ajudá-los. Eis um compromisso de mandato: Melhorar a vida destes que são a “gente humilde” de nossa cidade como cantou Chico Buarque. Minorar o sofrimento destes homens e mulheres cantados por Belchior que “desceram do norte pra cidade grande”.

Reuniões como esta serão constantes na campanha. Subo o Morro de “cara limpa” pois lá não sou o “oportunista” que sobe, pede voto e nunca mais volta. Subi o Morro hoje porque sempre subo. Porque tenho compromisso com aquelas pessoas, porque as conheço pelo nome. E lá assumi o compromisso de fazer de reuniões como aquela um fórum constante do nosso mandato. Ocasiões em que irei prestar contas de tudo o que faremos na Assembléia Legislativa.

Centro de Tradições Nordestinas

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